Robert
Reid Kalley nasceu em 08 de setembro de 1809, em Mount Florida, nos arredores
de Glasgow, condado de Lamark, Escócia. Filho de Robert Kalley e Jane Reid
Kalley, ambos membros da Igreja Presbiteriana da Escócia.
Kalley
perdeu o pai ainda quando criança, que era um abastado negociante na cidade.
Anos mais tarde, sua mãe Jane, casou-se novamente com o sr. Davi Kay, de quem o
dr. Kalley, posteriormente, escreveu muito bem sobre seu convívio, e classificando-o
como um homem de valor: "Durante
minha infância e mocidade, fiquei debaixo da tutela de um homem de valor, com
quem minha mãe se casou depois da morte de meu pai. Mesmo depois da morte dela,
quando eu era ainda uma criança, ele foi para mim um verdadeiro pai. Ainda que
eu desse muito trabalho e lhe fosse causa de muitas preocupações e tristezas,
ele perseverou comigo, dando-me educação moral e religiosa por seus exemplos e
preceitos, com muita oração a Deus"
Ainda
com oito ou nove anos de idade, estava no rio Clyde brincando e tomando banho com
outros meninos, quando por um descuido foi arrastado pela correnteza que quase
tirou-lhe a vida, sendo resgatado por alguém que, providencialmente, se atirou
à água e o salvou.
Cursou o primário e preparatório na
Rennie School e na Glasgow Grammar School. Em 1825, com 17 anos, matriculou-se
na Faculdade de Medicina e Cirurgia. Era desejo familiar que ele se preparasse
para o ministério da igreja, mas nesta fase de sua vida já estava envolvido com
ideias ateístas.
Sobre suas ideias ateístas, Kalley
escreveu ao sr. Eilby em 15 de novembro de 1843: “sendo
ateu, ao escolher a carreira, não me vi com coragem de pregar e ensinar aquilo
que eu considerava ser uma porção de mentiras. Abandonei, pois, toda ideia de
estudar teologia, e escolhi a medicina".
Em
1829, diplomou-se, e obteve licença de cirurgião. Atuou como médico de bordo em
viagens marítimas e em 1832, abriu seu consultório em Kilmarnock. Foi próspero
no seu trabalho, e ganhou certa fama junto à sociedade.
Certa vez Kalley foi chamado para
atender a uma senhora pobre, de idade, que sofria com uma cruel enfermidade. Ao
examiná-la, ficou impressionado pelo espírito sereno com que enfrentava grande
provação e sofrimento, percebendo tamanha tranquilidade para uma pessoa com que
via a morte aproximar-se. Ao terminar a consulta, quando ia retirar-se, ela pediu-lhe
o favor de abrir o armário que ficava ao pé do leito e entregar-lhe o pão ali
guardado e que lhe seria a refeição naquela hora. Ele o fez: encontrou um
pedaço de pão seco, que depositou na mão da enferma. Ao receber o pedaço de
pão, a senhora agradeceu ao Doutor, fechou os seus olhos e deu graças a Deus
pela comida. Kalley ficou profundamente abalado, e sobre isso, mais tarde
escreveu:“Como podia aquela anciã agradecer a Deus - ao seu
Deus - por comida tão escassa e tão seca? Como podia ser tão tranqüila em tais
desconfortos, tão serena e confiante em tantos sofrimentos?” . Ao indaga-la sobre, ela respondeu-lhe que
toda aquela paciência, resignação e conforto vinham do fato de pertencer e crer
no Senhor Jesus e de sua leitura diária das Santas Escrituras.
Este
acontecimento fez com que Kalley refletisse sobre sua posição de incredulidade
e em conversa com outro jovem que partilhava dos mesmos pensamentos, resolveram
examinar com maior interesse as Escrituras, e após serem ajudados por um ancião
da igreja, se ajuntaram com outros jovens para estudos da Bíblia, orações e
meditações.
Kalley foi despertado no estudo do
livro de Deuteronômio, em especial, para as profecias do povo hebreu prometendo
guarda-lo. Como conhecedor de história, impressionou-o, nessa leitura, o
significado bíblico da existência e das tribulações do povo judeu através dos
tempos e concluiu que muitas das profecias que encontrara no livro Já haviam
tido cabal cumprimento e outras havia que, certamente, aguardavam ainda a
consumação.
Renunciou
ao ateísmo, confessando a Cristo como seu Salvador e Senhor. Reconciliou-se com
a Igreja e foi admitido à comunhão. Sobre estas circunstâncias, mais tarde, Kalley
disse perante a Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana Livre da Escócia: “Quando
senti, satisfeito que há um Deus, que este Livro (apontando para a Bíblia) é de
Deus, então senti também que cada cristão é chamado a entrar naquele campo de
atividade em que melhor possa usar para Deus todos os talentos que ele lhe deu.
E, quanto a mim, tenho pensado de que maneira, como médico cristão, posso
melhor servir ao Filho de Deus.” Tinha então, 26 anos. A conversão, o
estudo meticuloso das Escrituras e a dedicação de seu futuro a Deus deram-lhe o
sentido, que há tanto tempo procurara, das razões e do propósito de sua vida.
Robert Reid Kalley encontrara, por fim o seu Senhor.
Casou-se com Margarida Crawford, que
conhecera em 1833. Ela, juntamente com Mary Kay, irmã querida e confidente de
Kalley, muito exerceram influência em sua vida. A princípio, Kalley resolveu
ser missionário na China, mas por causa do estado de saúde de sua esposa,
resolveu ir para a Ilha da Madeira, cujo local já conhecera quando atuou como
médico de bordo marítimo.
No dia 12 de outubro de 1838,
desembarcou. Julgava que ficaria na Madeira por pouco tempo, mas Deus o reteve
ali por oito anos. Em 18 de julho de 1839, foi ordenado, em Londres, pela Igreja Presbiteriana, onde seis ministros
presbiterianos assinaram seu diploma, mas a igreja fundada na Madeira pertencia
à Igreja Livre da Escócia, presbiteriana.
Em 1840, instalou no Funchal, um
hospital com doze leitos, oferecendo aos pobres remédios, tratamento e
hospitalização gratuitos, cobrando apenas dos mais ricos.
Sentiu também a necessidade de
fundar uma instituição de ensino, e assim o fez. Aos poucos foi recrutando
educadores. Ele conta que entre o período de 1839 a 1845 foram criadas 17
escolas, e que cerca de duas mil e quinhentas pessoas frequentaram as escolas.
A Bíblia era o principal livro de texto e mais de três mil exemplares foram
distribuídos neste período.
Na Madeira numerosas almas se
converteram. Muitos foram atraídos pela exposição simples e clara das
Escrituras, num ministério pioneiro e difícil, a que o Dr. A. Bonar, a ele
referindo-se na Assembléia Geral da Igreja Livre da Escócia, chamou de "o maior acontecimento das missões
modernas".
Foi na Ilha da Madeira que Kalley
compôs alguns de seus hinos, e folhetos em português, e também de lá que
concluiu a primeira tradução para o português do livro “O Peregrino” de John
Bunyam.
Esta situação não permaneceu assim
por muito tempo, logo o clero romano procurou aberta e declaradamente meios de
se opor ao trabalho de Kalley. A princípio, conseguiu junto as autoridades do
Funchal que o proibisse a distribuição de remédios aos pobres, sob o pretexto
de não ter o curso de farmactologia. Kalley ofereceu-se para especiarlizar-se,
mas a resposta é que ninguém poderia exercer as duas profissões
simultaneamente, farmactologia ou medicina. Não obstante, procuraram uma forma
de se opor ao trabalho nas escolas, e conseguiram com que se proibisse a
leitura da Bíblia nas escolas.
Não demorou muito, Kalley foi preso. Ficou detido
por 6 meses sem julgamento, e conseguiu liberdade após fortes manifestações das
igrejas na Europa lideradas pela Igreja Livre da Escócia. Mas as perseguições
continuaram ferozmente, ao ponto de Kalley, a esposa e uma criada tiveram de
sair fugidos no dia 9 de agosto de 1846, em um navio britânico sediado no
porto, escapando assim da morte.
Visita de Kalley à Ilha da Madeira. Possivelmente em 1871.
Em 1847, Kalley e esposa foram para a Ilha de Malta,
onde permaneceram até 1850, quando partiram para Beirute, em uma viagem ao
Oriente e Terra Santa. Sua esposa faleceu e foi sepultada em Beirute, Síria, em
1851.
Em 1852, casou-se com Sarah Poulton e em 1853
viajaram para os Estados Unidos em visita aos crentes madeirenses que haviam
fixado residência ali, também fugidos na mesma ocasião da Ilha da Madeira. Até 1854, viveram em Illinois, nas cidades de
Jacksonville e Springfield, e nesta segunda, pastoreou uma Igreja Presbiteriana.
Em 1854, o Ver. Fletcher, presbiteriano, foi nomeado
agente da Sociedade Bíblica Americana no Brasil, e escreveu do Brasil para Nova
York pedindo que enviasse dois ou três crentes madeirenses, de Illinois, para
ajudarem a disseminação das Escrituras no Brasil. Isto pode ter influenciado a
vinda do casal Kalley para o Brasil. O fato é que logo depois de uma passagem
pela Inglaterra, Dr. Kalley e esposa resolveram vir para o Brasil, considerando
a necessidade espiritual dos brasileiros e o fato de já conhecerem o idioma português.
Em 10 de maio de 1855 o casal desembarcou no Rio de
Janeiro. Devido a não se adaptarem ao clima do Rio, assim como outras famílias
europeias, decidiram residir em Petrópolis-RJ.
Na tarde do domingo, 19 de agosto de 1855, D. Sarah
instalou a primeira classe dominical, com 5 crianças. Ela contou a história de
Jonas. Dois ou três domingos depois, incluiiram uma classe para adultos com o
Dr. Kalley. Passaram a ter reuniões em dias de semana. (Sobre a primeira escola
dominical no Brasil é importante relembrar que o Ver. Kidder registrou em seu
livro “Sketches of Residence and Travel in Brazil”, que quando chegou ao Brasil
em 1837 foi auxiliar o seu colega o Ver. Spaulding, que tinha uma escola diurna
para crianças e aos domingos uma florescente escola dominical, na Rua do
Catete, Rio, mas o Ver. Spalding regressou aos Estados Unidos em 1842. A escola
iniciada por D. Sarah foi a primeira que teve continuidade até nossos dias.).
Entrada da casa da família Kalley em Petrópolis-RJ
Hoje, Rua Benjamim Constant
Na cidade do Rio de Janeiro, ajudou a fundar a
Igreja Evangélica, que mais tarde, em 1863, passou a se chamar, Igreja
Evangélica Fluminense, para diferenciar, por causa do estabelecimento de uma
igreja presbiteriana no Brasil em 1862.
Em 25 de janeiro de 1864 Dr. Kalley escreveu ao Sr. RichardHolden convidando-o a vir à sua casa, em Petrópolis. Visava Dr. Kalley a
mudança de Holden para o Rio. Em fevereiro de 1865, Holden chega de mudança ao
Rio de Janeiro e em 3 de março de 1865 foi eleito co-pastor da Igreja
Evangélica Fluminense.
Em sua estada em Petrópolis, o Dr. Kalley manteve
amizade com o Imperador do Brasil D. Pedro II. O Imperador chegou a
pessoalmente a conceder-lhe apoio para clinicar no Brasil, visto que muitos
questionavam seu diploma escocês. Certa ocasião, o Imperador convidou o Dr.
Kalley para ser uma espécie de conselheiro da coroa, Dr. Kalley agradeceu ao
convite, mas recusou a oferta alegando que o estado deveria ser laico.
Permaneceram fora do Brasil em viagem pela Europa no
período de 02 de dezembro de 1868 a 18 de junho de 1871, ficando a Igreja
Evangélica Fluminense aos cuidados de Richard Holden.
Em 9 de janeiro de 1874, a Sra. Kalley escreveu à
sua tia comunicando que o casal Kalley adotara o menino João Gomes da Rocha.
Em 26 de maio de 1879, mudaram-se para sua nova casa
que construíram em Campo Verde, Edimburgo, Escócia.
Robert Reid Kalley faleceu em janeiro de 1888, em Edimburgo,
Escócia.
Parabéns!!!! Só gostaria de registrar que a maioria das fotos foram tiradas do site http://www.robertreidkalley.xpg.com.br onde existem os referidos registros das mesmas.
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ResponderExcluirHoje o site sobre Robert Kalley está no seguinte endereço HTTPS://robertreidkalley.000webhostapp.com
ResponderExcluirnão localizei.
ExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ExcluirAgora está no seguinte endereço http://robertkalley.epizy.com/index.htm
Excluirgostaria de saber a relação do missionario robert reide kalley, com o movimentos dos irmãos ou as casa de oração. grato ir. jorge
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